Ontem passei o dia todo em casa naquele hiato de ter e não ter o que fazer. Como tem acontecido no curto período em que dou a minha graça em casa, passei o dia a ser requisitada para afazeres triviais e massantes da rotina dos meus conterrâneos.
É impressionante... ultimamente parece que todos aqui de casa estão a agir como se eu fosse morrer durante os 5 minutos que eu não estou assintindo A Grande Família com a minha mãe, ou conferindo o genial novo ponto de crochê que a minha avó aprendeu num powerpoint que explica passo a passo ao som de uma música falida do ABBA que ela recebeu de alguma amiga beata por e-mail.
Tentei colocar alguma ordem no meu quarto, tentei extrair algum tipo de tranquilidade e paz de espírito da minha alma inquieta, me sentir bem de verdade, tentei.
Às 17h e alguns minutos recebo uma mensagem da Fiori dizendo que ela está indo para a psicóloga dela e que depois iria sair com o Thiago, um amigo dela que finge ser uma gótica blasé no orkut. Perguntou se eu queria ir junto. Nessa hora me lembro de ter pensado que o mundo reamente está perdido, não por causa do Thiago, mas porque até a Fiori está fazendo tratamento de adequação à sociedade, ou a si mesmo, enfim, e eu congelei a minha própria terapia sem dar qualquer satisfação, nem mesmo a mim. A verdade é que tenho me sentido um tanto inútil, até para ficar contando a alguémas mil razões que me fazem ser inútil.
Antes que isso aqui comece a pretender se tornar alguma cosa do gênero terapêutico, fomos ao come-come encontrar o Thiago. A Fiori veio me buscar em casa porque eu estou com gripe suína e ela não quer que eu piore, na verdade eu também não quero que eu piore, afinal, contrair uma doença hype que está em todas as revistas há meses já é suficientemente hype, não preciso virar um catarro-zumbi-resmungante.
Na hora que ela estava vindo me buscar, fiquei feliz com meu raciocínio, que tem me decepcionado com frequência nos últimos tempos. Obviamente a Fiori não ia comer até chegar lá, onde iria perceber um buraco negro em seu estômago juntamente com a impossibilidade vegetariana de aliviar sua fome num lugar como o come-come. A possível situação agravaria sua anorexia e, mesmo a doença dela sendo mais hype que a minha (porque só dá em celebridade bonita), eu não quero que ela piore, então fiz um embrulho da única coisa que encontrei em toda a despensa que não contém traços de leite ou carne: pão francês... puro.
Chegamos lá e ficamos contando todas as bobeiras que ilustram a história de nossas vidas, da vida dos tios, dos irmãos e dos amigos.
Tomamos muitas cervejas geladas (para agravar a minha gripe suína) e fomos embora. A Fiori ia me levar em casa e depois levar o Thiago e a amiga dele numa festa dessas que se conversa gritando e que se passa o tempo todo perguntando para todo mundo se alguém sabe quem tem padê naquela buatchy. Antes de chegar na minha casa, a Fiori parou o carro para mijar na rua e é óbvio que o carro não ligou depois, da mesma forma que é óbvio que tivemos que empurrá-lo por alguns quarteirões no nosso estado de suave embriaguez. Acho um pouco divertida essa parte de empurrar.
Cheguei em casa laricada e comi dois pães fritos e um pedaço de trota de banana que, segundo a minha avó, não contém leite na massa. Recebi uma ligação da minha sogra desesperada porque a Fiori ainda não tinha voltado, olhei no relógio, era 00h 16, mas, por via das dúvidas, fiquei preocupada.
Acordei às 3h 47 com sede e dificuldades para redormir, tomei um litro de água da torneira desacreditando que um dia eu achei que milk-shake de baunilha pudesse ser melhor que aquela água, desci, peguei um tomate e mais um litro de água e agora são 5h 26. DROGA!
7.17.2009
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