
Desejou ter coragem de apagar algumas idéias de si no momento em que mirava o estranho braço negro que se estendia sobre a superfície circular, que parecia gostar da afiada unha do negro braço a arranhar seu corpo. Seu corpo já havia sido deformado pela luz e calor do sol, que transformara a face retilínea numa pauta ondulada. Sem sequer notar que estava respirando, seus olhos resistiam fortemente às coisas ao redor daquela cena: a dor da unha dava prazer e trasformava a rotação em canção enquanto o braço dançava sem sombra de cansaço sobre a face A, levemente entortada pelo sol, daquele antigo disco de vinil.
[l.n.r.]
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