Acho que gosto de ser versátil.
E acho que sou mesmo um pouco.
Gosto de observar os normais para estudar os espectros da minha loucura.
Moro na representação em miniatura da sociedade, com governo, burguesia e povo.
O artista sempre incomoda o governo, que parece gostar um pouco disto.
Os traços passam de mim para o mundo assim como Luara saiu de um ventre e foi para um ânus: reprimidos. COMPRIMIDOS entre uma idéia e um ideal, entre um ser e um modelo, entre o real e a ilusão. Acho que aos poucos começo a compreender a magia oculta pela tarja preta que rotula as caixinhas de drogas lícitas e acaba por também NOS rotular.
Sim, somos sombrios, mas não por sermos envoltos por uma névoa negra, mas por nos imaginarem assim.
A insônia também tem seu encanto.
Perguntei ao café para melhor esclarecimento.
Ele me disse que tem tanta insônia que precisa passar sempre um pouco para alguém, para evitar explosões.
Acho que a vida confunde surpresa com impactos imprevisíveis dispensáveis.
É como trocar suco de fruta de pomar por tang de morango.
Elá vou eu mais uma vez me render ao vício de transformar frustração em achismo.
[l.n.r.]
6.16.2008
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