Meu sexto sentido tem sido eficaz. Tenho que dar atenção às coisas estranhas que eu sinto. É difícil traduzir o que elas tentam me dizer através de sua não-usual linguagem de estranhamentos.Estou tão apegada à linguagem verbal... a mais simplória e óbvia das linguagens. Todavia, não há muito com o que se preocupar, é só sentir e a resposta vem depois. Caso não venha, pode ser pelo simples fato de que não deve ser racionalizada. E assim vou [re]construindo minha harmonia. Não vou sofrer com as auto-revelações negativas. Se minha consciência as recebeu, é porque as mereço. Sou grata. Vou enfrentá-las, vou desvendá-las, decodificá-las. E assim construo também meu equilíbrio, e vai se desenvolvendo a minha força. Não preciso ser independente o tempo todo, mas continuo não dependendo de ninguém, vim sozinha a este mundo, sozinha estou e sozinha partirei. O que preciso é encaixar a hora da fraqueza no nicho certo, de modo que ela não me cause um desequilíbrio. Não preciso ser exatamente mediana para ser equilibrada. As cores do mundo não são suficientes para pintar todas as nuanças da gama do sentir. Somos tão confusos por sermos tão fechados no quesito do sentir, estacionamos, temos medo de buscar profundamente. Definir tudo como abstrato é covardia. A alienação causa frustração. A vida é uma eterna busca, mas como se fica quando não se sabe exatamente o que buscar? Não quer dizer que isto torna alguém vazio. Vazio... este termo é vazio... por ser tão vago. É bom se sentir serena. É bom explorar e colher frutos dos jardins da paz interior. E é desesperador sentir que os jardins na verdade não existem, que não há verde que contraste com o interminável cinza do concreto interior. É tão desesperador porque é uma mentira, e a mentira cursou tão bem a escola de ilusão que consegue ser gigantesca e minúscula ao mesmo tempo, deixando o mentiroso confuso, frustrado, desesperado. A paz-interior nunca te abandona, você é que deixa de procurá-la. Ela é sutil, e muitas vezes deixamos sentimentos fortes e gritantes ofuscarem a paz, que opostamente aos sentimentos que a ofuscam, é eterna, tranquila, leve, não precisa gritar pra anunciar presença. Mas ainda assim, pra quem deixou-a perder-se dentro de si, só tenho uma coisa a dizer: o auto-controle ativa a paz.
[l.n.r.]
6.16.2008
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