exercer a ARTE de cor/tar o mal pela seMENTE...
[l.n.r.]
2.17.2008
2.12.2008
2.11.2008
Da vez primeira que me assassinaram
Perdi um jeito de sorrir que eu tinha...
Depois, de cada vez que me mataram,
Foram levando qualquer coisa minha...
E hoje, dos meus cadáveres, eu sou
O mais desnudo, o que não tem mais nada
Arde um toco de vela, amarelada...
Como o único bem que me ficou!
Vinde, corvos, chacais, ladrões da estrada!
Ah! Desta mão avaramente adunca,
Ninguém há de arrancar-me a luz sagrada!
Aves da Noite!
Asas do Horror!
Voejai!
Que a luz, trêmula e triste como um ai,
A luz da morte não se apaga nunca!
eu em palavras por Mário Quintana
Perdi um jeito de sorrir que eu tinha...
Depois, de cada vez que me mataram,
Foram levando qualquer coisa minha...
E hoje, dos meus cadáveres, eu sou
O mais desnudo, o que não tem mais nada
Arde um toco de vela, amarelada...
Como o único bem que me ficou!
Vinde, corvos, chacais, ladrões da estrada!
Ah! Desta mão avaramente adunca,
Ninguém há de arrancar-me a luz sagrada!
Aves da Noite!
Asas do Horror!
Voejai!
Que a luz, trêmula e triste como um ai,
A luz da morte não se apaga nunca!
eu em palavras por Mário Quintana
1.23.2008

Dizem que a eterna, incansável e hermética busca pelo prazer desvia o homem do saber. E foi pensando nisso que decidiu aliviar a barra e se responsabilizar pelo seu departamento de prazer. "Vou em busca dele, decifro seus mistérios e dou ostratamentos necessários para torná-lo digno de consumo, e então entrego nas tuas mãos, assim vais 'saber com prazer', quer algo melhor?" - disse.
[l.n.r.]
[l.n.r.]
1.12.2008
Quando nasci um anjo esbelto, desses que tocam trombeta, anunciou: vai carregar bandeira. Cargo muito pesado pra mulher, esta espécie ainda envergonhada. Aceito os subterfúgios que me cabem, sem precisar mentir. Não sou feia que não possa casar, acho o Rio de Janeiro uma beleza e ora sim, ora não, creio em parto sem dor. Mas o que sinto escrevo. Cumpro a sina. Inauguro linhagens, fundo reinos— dor não é amargura. Minha tristeza não tem pedigree, já a minha vontade de alegria, sua raiz vai ao meu mil avô. Vai ser coxo na vida é maldição pra homem. Mulher é desdobrável. Eu sou. ( Adélia Prado)
12.26.2007

Desejou ter coragem de apagar algumas idéias de si no momento em que mirava o estranho braço negro que se estendia sobre a superfície circular, que parecia gostar da afiada unha do negro braço a arranhar seu corpo. Seu corpo já havia sido deformado pela luz e calor do sol, que transformara a face retilínea numa pauta ondulada. Sem sequer notar que estava respirando, seus olhos resistiam fortemente às coisas ao redor daquela cena: a dor da unha dava prazer e trasformava a rotação em canção enquanto o braço dançava sem sombra de cansaço sobre a face A, levemente entortada pelo sol, daquele antigo disco de vinil.
[l.n.r.]
[l.n.r.]
12.18.2007
Cantiga de Malazarte
Eu sou o olhar que penetra nas camadas do mundo,ando debaixo da pele e sacudo os sonhos.
Não desprezo nada que tenha visto,todas as coisas se gravam pra sempre na minha cachola.Toco nas flores, nas almas, nos sons, nos movimentos,destelho as casas penduradas na terra,tiro os cheiros dos corpos das meninas sonhando.
Desloco as consciências,a rua estala com os meus passos,e ando nos quatro cantos da vida.
Consolo o herói vagabundo, glorifico o soldado vencido,não posso amar ninguém porque sou o amor,tenho me surpreendido a cumprimentar os gatose a pedir desculpas ao mendigo.Sou o espírito que assiste à Criação e que bole em todas as almas que encontra.
Múltiplo, desarticulado, longe como o diabo.Nada me fixa nos caminhos do mundo.
Rebecca Loise, sou sua fã.
Eu sou o olhar que penetra nas camadas do mundo,ando debaixo da pele e sacudo os sonhos.
Não desprezo nada que tenha visto,todas as coisas se gravam pra sempre na minha cachola.Toco nas flores, nas almas, nos sons, nos movimentos,destelho as casas penduradas na terra,tiro os cheiros dos corpos das meninas sonhando.
Desloco as consciências,a rua estala com os meus passos,e ando nos quatro cantos da vida.
Consolo o herói vagabundo, glorifico o soldado vencido,não posso amar ninguém porque sou o amor,tenho me surpreendido a cumprimentar os gatose a pedir desculpas ao mendigo.Sou o espírito que assiste à Criação e que bole em todas as almas que encontra.
Múltiplo, desarticulado, longe como o diabo.Nada me fixa nos caminhos do mundo.
Rebecca Loise, sou sua fã.
12.15.2007
12.08.2007
A gente, às vezes, nem medita,mas por instinto, no melhor acredita: Andamos em círculos desconfiando da existência daestrada reta. Quando encontramos uma porta aberta queremos que seja a saída ou entrada certa. Em cada lágrima insistente buscamos a Esperança presente. Mesmo desnorteado, descendo a ribanceira, buscamos ou esperamos a subida certeira. Ouvimos, da Esperança, seu canto:- O Bem da gente, vem. A cada um o seu tanto. Olvidamos o Bendito acalanto: - O Bem, da gente, vem. Cada um tece o próprio Manto.
12.03.2007
12.01.2007
MICROCONTOS:
Depois de comer, se olharam firmes e ela disse: ‘vai, me dá um cigarro!’
-Detesto religiosos!
-Então, lembra que eu disse que tinha uma banda? Tocava na igreja!
O filtro do cigarro, que era branco, evoluiu para pardo.
Eu aqui, sem ombro amigo para poder chorar. Que ódio deste torcicolo!
Cinco cds empilhados na mesa. Todos do Led Zeppelin.
Olhou para o outro hemisfério da cama e só o que encontrou foram fios de cabelo.
Saudade da sua sombra projetada na minha parede.
Preciso voltar a colecionar pentes e mini-sabonetes.
Seis anos de ausência. Seu cabelo aumentou e o meu diminuiu.
Acordei de mau humor e quebrei o espelho. Quero ficar sozinha.
Passou gel nos chacras e foi ler Freud.
Diga-me que não é natural que eu digo à natureza que quero divórcio.
A inspiração estava tão em baixa que o lápis arranhou dissonante o papel segundos antes de perder a cabeça.
Depois de comer, se olharam firmes e ela disse: ‘vai, me dá um cigarro!’
-Detesto religiosos!
-Então, lembra que eu disse que tinha uma banda? Tocava na igreja!
O filtro do cigarro, que era branco, evoluiu para pardo.
Eu aqui, sem ombro amigo para poder chorar. Que ódio deste torcicolo!
Cinco cds empilhados na mesa. Todos do Led Zeppelin.
Olhou para o outro hemisfério da cama e só o que encontrou foram fios de cabelo.
Saudade da sua sombra projetada na minha parede.
Preciso voltar a colecionar pentes e mini-sabonetes.
Seis anos de ausência. Seu cabelo aumentou e o meu diminuiu.
Acordei de mau humor e quebrei o espelho. Quero ficar sozinha.
Passou gel nos chacras e foi ler Freud.
Diga-me que não é natural que eu digo à natureza que quero divórcio.
A inspiração estava tão em baixa que o lápis arranhou dissonante o papel segundos antes de perder a cabeça.
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