8.25.2008
Memórias Eróticas de 2006.
Poucos lugares abriram suas portas na véspera de eleição, mas estava decidida a brilhar sob a luz do strobo de qualquer lugar, por mais "pão-com-ovo" que fosse. Sim, fomos ao Época. Atualmente conhecido como New SPM. Levei dois caras que tinha conhecido no bar anterior para conhecer a balada, dois HÉTEROS, claro, pois me sentia ousada.
Quando chegamos, senti-me mais deprimente que os olhos 'pidões' dos alcoólatras que não podiam beber, "quanta gente feia!". Mentalizei uma frase tranquilizadora: Foda-se! Como se já não bastasse o fracasso inicial, dei de cara com uma ex-namorada e seus amigos "funga-funga", com quem eu não tinha muita simpatia na época, mas o efeito "foda-se" funcionou novamente.
Uma das únicas coisas que gosto no Época são as plataformas individuais e altas, onde se dança como verdadeiras drag-queens. Deixei os héteros na pista e minha ousadia subiu até a plataforma do meio, fechei meus olhos e dancei, convencida de que não havia nada de interessante para olhar naquela pista. Mas algo puxou minhas pálpebras pra cima e iluminou apenas um pontinho daquela muitidão: Linda!
Desci na hora e fui falar com o Evandro, um dos héteros, e ele também estava de olho nela. A menina era visivelmente HT, até um gaydar produzido pela NASA falharia com ela. Mas nem liguei para esta aparência, combinei com o Evandro, que já estava flutuando em direção à ela, que se ela não fosse HT, ele não seria chato em ficar insistindo e eu entraria em ação. OK.
Depois de uns 30 segundos o Evandro volta dizendo ter perguntado se ela era "entendida", e que ela respondeu: "ENTENDIDÍSSIMA!", assim mesmo, com ênfase. Eis que o "destino" finalmente me encontrou.
Suas Feições revolucionavam o meu sentir. Não poderia hever dilema capaz de desviar o meu desejo. Ah, e que desejo! Desejo hipnótico, grande demais para ocupar apenas meu mal-desenvolvido peito. Ainda assim, comprimiu-se naquele nicho de entranhas e encontrou conforto, mesmo a minutos de explodir. Sentia o sangue feroz percorrendo loucamente as veias, lutando contra a violenta pulsação. Estava quente como num banho de sol em pleno meio-dia. Ao abraçá-la, sentia suas perfeitas curvas encaixando-se nas minhas. Seus deslizes aos meus toques mais sutis revelavam a frequencia perfeita dos seus sentidos, e quanto mais eu percebia, mais louca eu ficava, despindo-me de todo o pudor.
Havia uma voz interna que não parava de sussurrar palavras que minha consciência sã não aceitaria. Sentia-me entornando doses de descontrole cada vez que seus provocantes lábios beijavam os meus. Exercia a vontade de beijar cada milímetro quadrado daquele corpo, como se meus lábios fossem um portal para todo aquele desejo personificado e misterioso.
Inalava o intenso aroma natural das finas e arrepiadas mechas em sua nuca e escrevia palavras recheadas de volúpia com a língua em seu pescoço. Sentia sua intensa respiração em meu ouvido como aplausos após a primeira música de um show.
Maldita hora que decidira fazer aquele convite malicioso. Soava como uma tentação benigna, um pecado previamente perdoado, um caminho cujos obstáculos pareciam microscópicos. Deixei-me seguir aquele delicioso fluxo, não conseguia deslizar meus olhos dela. Minha fóvea tornara-se seletiva, de modo que, literalmente, eu só tivesse olhos para ela. Nem notei quando passei pelos héteros e mais uma meia dúzia de caminhoneiras conhecidas no caminho da saída. Estava num rio sem afluentes cujo leito tinha como destino único o paraíso revestido de lençóis. E segui sem hesitar, loucamente pela estrada das curvas quentes para a qual doei toda a minha devoção.
7.19.2008
7.07.2008
a greve
A falta de repertório sonoro nasceu de noites inteiras cuja escuridão estampada de sensações me traz o sono e ele me leva, transformando a escuridão em platéia única para David Gilmour. Revoltado pela falta de audiência, aquele aparelho de som antigo, dos anos 70, herança do lixo pós-modernização de casa de parentes e que toca fita cassete como se estivesse em vácuo, declarou greve e me deixou nas mãos do silêncio. O único som presente agora é o do lápis ligeiro, que em movimentos apressados, tenta acompanhar a velocidade da mente e transpassá-la para o papel. Ouve-se também o ruído de biscoitos sendo despedaçados e induzidos a uma dança com a língua dentro da boca.
A greve parece querer habitar também a já cansada mente e mãos, buscam nos movimentos mais leves, as palavras, e nas palavras, a cura. Todavia, é uma grande pretensão buscar a cura se não se sabe bem ao certo qual é a doença. E a greve é agora um maço de algodão aquecido, comprimindo meus ouvidos, numa tentativa mórbida de trocar o zumbido da dor pela própria dor de comprimir os tímpanos.
A greve agora habita as veias, que parecem ter perdido o fôlego para continuar a estimular o velho sangue a correr. A greve sou eu. É uma carência de coragem, que faz meus pés ficarem imóveis dentro do par de chinelos de pano, em vez de encostar nos tubos cilíndricos com espirais alaranjados do antigo aquecedor de ambientes, o que no fundo compõe meu desejo, mas não minha coragem. O contato com o aquecedor faria o corpo sentir algo que não o vácuo de esmo em que fui jogada. Mas o ato de auto-flagelo não passa de outra pretensão, a coragem está em greve, está em greve, sempre esteve. O eco dos pensamentos de poucas palavras também é responsável pela dor. A visão busca na opacidade voyeurista de espiar pela fresta das pálpebras quase unidas, o seu próprio mundo. Mas há greve até para impedir esta façanha. A greve do sono construiu linhas invisíveis que puxam as pálpebras em movimentos anti-gravitacionais. A greve das mãos não quer que tudo seja contado. A greve da memória recusa-se a registrar novas greves. A greve não passa de um deserto de areia movediça para o nada e eu estou calma a afundar.
[l.n.r. há tempos]6.28.2008
Reverência ao destino
Falar é completamente fácil, quando se tem palavras em mente que expressem sua opinião.
Difícil é expressar por gestos e atitudes o que realmente queremos dizer, o quanto queremos dizer, antes que a pessoa se vá.
Fácil é julgar pessoas que estão sendo expostas pelas circunstâncias.
Difícil é encontrar e refletir sobre os seus erros, ou tentar fazer diferente algo que já fez muito errado.
Fácil é ser colega, fazer companhia a alguém, dizer o que ele deseja ouvir.
Difícil é ser amigo para todas as horas e dizer sempre a verdade quando for preciso.
E com confiança no que diz.
Fácil é analisar a situação alheia e poder aconselhar sobre esta situação.
Difícil é vivenciar esta situação e saber o que fazer ou ter coragem pra fazer.
Fácil é demonstrar raiva e impaciência quando algo o deixa irritado.
Difícil é expressar o seu amor a alguém que realmente te conhece, te respeita e te entende.
E é assim que perdemos pessoas especiais.
Fácil é mentir aos quatro ventos o que tentamos camuflar.
Difícil é mentir para o nosso coração.
Fácil é ver o que queremos enxergar.
Difícil é saber que nos iludimos com o que achávamos ter visto.
Admitir que nos deixamos levar, mais uma vez, isso é difícil.
Fácil é dizer "oi" ou "como vai?"
Difícil é dizer "adeus", principalmente quando somos culpados pela partida de alguém de nossas vidas...
Fácil é abraçar, apertar as mãos, beijar de olhos fechados.
Difícil é sentir a energia que é transmitida.
Aquela que toma conta do corpo como uma corrente elétrica quando tocamos a pessoa certa.
Fácil é querer ser amado.
Difícil é amar completamente só.
Amar de verdade, sem ter medo de viver, sem ter medo do depois. Amar e se entregar, e aprender a dar valor somente a quem te ama.
Fácil é ouvir a música que toca.
Difícil é ouvir a sua consciência, acenando o tempo todo, mostrando nossas escolhas erradas.
Fácil é ditar regras.
Difícil é seguí-las.
Ter a noção exata de nossas próprias vidas, ao invés de ter noção das vidas dos outros.
Fácil é perguntar o que deseja saber.
Difícil é estar preparado para escutar esta resposta ou querer entender a resposta.
Fácil é chorar ou sorrir quando der vontade.
Difícil é sorrir com vontade de chorar ou chorar de rir, de alegria.
Fácil é dar um beijo.
Difícil é entregar a alma, sinceramente, por inteiro.
Fácil é sair com várias pessoas ao longo da vida.
Difícil é entender que pouquíssimas delas vão te aceitar como você é e te fazer feliz por inteiro.
Fácil é ocupar um lugar na caderneta telefônica.
Difícil é ocupar o coração de alguém, saber que se é realmente amado.
Fácil é sonhar todas as noites.
Difícil é lutar por um sonho.
Eterno, é tudo aquilo que dura uma fração de segundo, mas com tamanha intensidade, que se petrifica, e nenhuma força jamais o resgata.
Carlos Drummond de Andrade
6.26.2008
6.25.2008
6.24.2008
sofremos
tu sofres
ele sofre
nós sofremos
vós sofreis
eles sofrem
t
a
l
v
e
z
por
coisas que foram sonhadas e não se cumpriram.
(dadá de drummond)
o homem, as viagens
Chateia-se na Terra
Lugar de muita miséria e pouca diversão,
Faz um foguete, uma cápsula, um módulo
Toca para a Lua
Desce cauteloso na Lua
Pisa na Lua
Planta bandeirola na Lua
Experimenta a Lua
Coloniza a Lua
Civiliza a Lua
Humaniza a Lua.
Lua humanizada: tão igual à Terra.
O homem chateia-se na Lua.
Vamos para Marte – ordena a suas máquinas.
Elas obedecem, o homem desce em Marte
Pisa em Marte
Experimenta
Coloniza
Civiliza
Humaniza Marte com engenho e arte.
Marte humanizado, que lugar quadrado.
Vamos a outra parte?
Claro – diz o engenho
Sofisticado e dócil.
Vamos a Vênus.
O homem põe o pé em Vênus,
Vê o visto – é isto?
Idem
Idem
Idem.
O homem funde a cuca se não for a Júpiter
Proclamar justiça junto com injustiça
Repetir a fossa
Repetir o inquieto
Repetitório.
Outros planetas restam para outras colônias.
O espaço todo vira Terra-a-terra.
O homem chega ao Sol ou dá uma volta
Só para tever?
Não vê que ele inventa
Roupa insiderável de viver no Sol.
Põe o pé e:
Mas que chato é o Sol, falso touro
Espanhol domado.
Restam outros sistemas fora
Do solar a colonizar.
Ao acabarem todos
Só resta ao homem
(estará equipado?)
a dificílima dangerosíssima viagem
de si a si mesmo:
Pôr o pé no chão
Do seu coração
Experimentar
Colonizar
Civilizar
Humanizar
O homem
Descobrindo em suas próprias inexploradas entranhas
A perene, insuspeitada alegria
De con-viver.
(drummond)
6.16.2008
reflexões & metáforas
E acho que sou mesmo um pouco.
Gosto de observar os normais para estudar os espectros da minha loucura.
Moro na representação em miniatura da sociedade, com governo, burguesia e povo.
O artista sempre incomoda o governo, que parece gostar um pouco disto.
Os traços passam de mim para o mundo assim como Luara saiu de um ventre e foi para um ânus: reprimidos. COMPRIMIDOS entre uma idéia e um ideal, entre um ser e um modelo, entre o real e a ilusão. Acho que aos poucos começo a compreender a magia oculta pela tarja preta que rotula as caixinhas de drogas lícitas e acaba por também NOS rotular.
Sim, somos sombrios, mas não por sermos envoltos por uma névoa negra, mas por nos imaginarem assim.
A insônia também tem seu encanto.
Perguntei ao café para melhor esclarecimento.
Ele me disse que tem tanta insônia que precisa passar sempre um pouco para alguém, para evitar explosões.
Acho que a vida confunde surpresa com impactos imprevisíveis dispensáveis.
É como trocar suco de fruta de pomar por tang de morango.
Elá vou eu mais uma vez me render ao vício de transformar frustração em achismo.
[l.n.r.]
descobrindo o formato da cabeça.
[l.n.r.]
resgate de harmonia.
[l.n.r.]
Néctar x Veneno
Afinal, a verdade é um néctar e a mentira, um veneno.
[l.n.r.]
6.14.2008
"Conselho de um velho apaixonado
Quando encontrar alguém e esse alguém fizer
seu coração parar de funcionar por alguns segundos,
preste atenção: pode ser a pessoa
mais importante da sua vida.
Se os olhares se cruzarem e, neste momento,
houver o mesmo brilho intenso entre eles,
fique alerta: pode ser a pessoa que você está
esperando desde o dia em que nasceu.
Se o toque dos lábios for intenso, se o beijo
for apaixonante, e os olhos se encherem
d'água neste momento, perceba:
existe algo mágico entre vocês.
Se o 1º e o último pensamento do seu dia
for essa pessoa, se a vontade de ficar
juntos chegar a apertar o coração, agradeça:
Algo do céu te mandou
um presente divino : O AMOR.
Se um dia tiverem que pedir perdão um
ao outro por algum motivo e, em troca,
receber um abraço, um sorriso, um afago nos cabelos
e os gestos valerem mais que mil palavras,
entregue-se: vocês foram feitos um pro outro.
Se por algum motivo você estiver triste,
se a vida te deu uma rasteira e a outra pessoa
sofrer o seu sofrimento, chorar as suas
lágrimas e enxugá-las com ternura, que
coisa maravilhosa: você poderá contar
com ela em qualquer momento de sua vida.
Se você conseguir, em pensamento, sentir
o cheiro da pessoa como
se ela estivesse ali do seu lado...
Se você achar a pessoa maravilhosamente linda,
mesmo ela estando de pijamas velhos,
chinelos de dedo e cabelos emaranhados...
Se você não consegue trabalhar direito o dia todo,
ansioso pelo encontro que está marcado para a noite...
Se você não consegue imaginar, de maneira
nenhuma, um futuro sem a pessoa ao seu lado...
Se você tiver a certeza que vai ver a outra
envelhecendo e, mesmo assim, tiver a convicção
que vai continuar sendo louco por ela...
Se você preferir fechar os olhos, antes de ver
a outra partindo: é o amor que chegou na sua vida.
Muitas pessoas apaixonam-se muitas vezes
na vida poucas amam ou encontram um amor verdadeiro.
Às vezes encontram e, por não prestarem atenção
nesses sinais, deixam o amor passar,
sem deixá-lo acontecer verdadeiramente.
É o livre-arbítrio. Por isso, preste atenção nos sinais.
Não deixe que as loucuras do dia-a-dia o deixem
cego para a melhor coisa da vida: o AMOR !!!"
Eu me interesso....e digo: Te Amo !!!!!!!!!!!
Carlos Drumond de Andrade
6.13.2008
Mecanismos que Ego crio
Mecanismos que Ego crio
Mecanismos que Ego crio
Mecanismos que Ego crio
Mecanismos que Ego crio
Mecanismos que Ego crio
Mecanismos que Ego crio
Mecanismos que Ego crio
Mecanismos que Ego crio
Mecanismos que Ego crio
Mecanismos que Ego crio
Mecanismos que Ego crio
Mecanismos que Ego crio
Mecanismos que Ego crio
EU!
[l.n.r.]
6.09.2008
buscadores
QUEM MORRE?
quem não lê,
quem não ouve música,
quem não encontra graça em si mesmo.
Morre lentamente quem destrói o seu amor-próprio, quem não se deixa ajudar.
Morre lentamente quem se transforma em escravo do hábito,
repetindo todos os dias os mesmos trajetos,
quem não muda de marca,
não se arrisca a vestir uma nova cor ou não conversa com quem não conhece.
Morre lentamente quem não vira a mesa quando está infeliz,
quem não arrisca o certo pelo incerto para ir atrás de um sonho,
quem não se permite pelo menos uma vez na vida fugir dos conselhos sensatos.
Morre lentamente quem passa os dias queixando-se da sua má sorte ou da chuva incessante.
Evitemos a morte em doses suaves, recordando sempre que estar vivo exige um esforço muito maior que o simples fato de respirar. Somente a perseverança fará com que conquistemos um estágio esplêndido de felicidade...
6.07.2008
eu pergunto a você no mundo
o mundo é uma escola
a vida é um circo
AMOR
palavra que liberta
já dizia o profeta
6.02.2008
5.27.2008
O vinho suave do espírito, ou vinagre egocentrado ?
Como anda tua luz ? Como tem se comportado ?
Será se tuas ações , não revelam um sepulcro caiado ?
Que sendo branco por fora, por dentro tem podridão
faça agora por estas palavras tua alto avaliação.
Sabia que a tua língua É reflexo do teu coração ?
Que teu estado de espírito se mostra na tua ação?
Tem dito muitas mentiras ? hoje já caluniou ?
Soube ser agradecido, ao irmão que uma vez te ajudou ?
Ou por se ver pequeno ,contra ele se revoltou?
Aonde você tem passado, deixou saudades e alegria ?
Ou é sempre a sua partida que alegra a maioria ?
Você fez aniversário ? Houve milhares de parabéns ?
Ou foi só tua mulher e filhos e não houve mais ninguém ?
Você tem muitos amigos ? Ou tem apenas conhecidos ?
Quem ti conhece a um ano, já não anda mais contigo ?
Sustenta quem te bajula ? Pra fingir que tem amigo ?
Faz chantagem emocional ? Se vale de muito falar ?
Será se até teus vizinhos , não evitam te encontrar ?
Como anda tuas finanças ? Acaso não vive devendo ?
Já não seria isto um Karma , dos erros que vem cometendo ?
Quando pega um dinheiro, que alguém lhe confiou
Você honra o combinado, ou foi mais um que enganou ?
Para não pagar sua divida , uma calunia inventou ?
Se passando como vitima, daquele que te auxiliou ?
Se alegra com as calúnias que criou escondidinho ?
Inveja o sucesso alheio ?Racionaliza para não ver ?
Já não é o egocentrismo que lhe tem feito sofrer ?
Por falta de seriedade não alcança prosperidade.
Aonde chega mostra patente ? Ostenta ser poderoso ?
E se observar teu corpo ? Não verei um espírito grosso ?
Tem olhos sempre vermelhos ?Respiração sempre ofegante ?
Tem a digestão difícil ? Dor de cabeça constante ?
Se cansa com facilidade ? Sofre de hipertensão ?
Estes sinais já revelam tua presente situação !
Tem tua saúde instável ? E a saúde de tua família ?
Não percebe que doença já é falta de harmonia ?
falaram de tua pessoa ? Você foi ameaçado ?
procurou saber da verdade ? Ou ficou egocentrado ?
Onde houver ódio, que eu leve o amor.
Onde houver ofensa, que eu leve o perdão.
Onde houver discórdia que eu leve a união.
Onde houver dúvidas, que eu leve a fé.
Onde houver erro, que eu leve a verdade.
Onde houver desespero, que eu leve a esperança.
Onde houver tristeza que eu leve alegria.
Onde houver trevas que eu leve a luz.
Fazei que eu procure mais
Consolar, do que ser consolado
Compreender, que se compreendido
Amar, que ser amado
Pois é dando que se recebe
Perdoando, que se é perdoado
E é morrendo que se vive para a vida eterna.
5.20.2008
atualmente minha pele facial se transformou em comunidade.
o pontiagudismo de ambos machuca e corrói minha pele, mas eles continuam me dizendo que em troca de comida e conforto eles me dão um bom pretexto doloroso para desviar minha fadigada massa cefálica da angústia que é ter um negro nevoeiro comprimindo e deformando as funções cardíacas de um corpo precocemente cansado.
[l.n.r.]
quando a gente anda em círculos
seguindo ideais ridículos
de querer, lutar & poder
as roupas na lavanderia...
o analista passeando na Europa...
as encomendas na Bolívia...
nas fotos um sorriso idiota
os dias parecem séculos
e se parecem uns com os outros
como enfermeiras em filmes de guerra
e violinos em canções de amor
a seguir cenas obcenas
do próximo capítulo
é só virar a página
e o futuro virá...
filmes de guerra, canções de amor
manchetes de jornal, ou seja lá o que for
há sempre uma estória infeliz
esperando uma atriz e um ator
há vida na terra, há rumores no ar
dizendo que tudo vai acabar
(mais uma estória infeliz
esperando um ator e uma atriz)
não tenho medo de perder a guerra
pois no fim da guerra todos perdem
no fim das contas as nações unidas
'tão sempre prontas pra desunião
não tenho medo de perder você
desde o início eu sabia
era só questão de dias
um dia iria acontecer
preciso beber qualquer coisa
não me lembre que eu não bebo
o que só nós dois sabemos
nós sabemos que é segredo
há um guarda em cada esquina
esperando o sinal
pra transformar um banho de piscina
numa batalha naval
agora sinto um medo infantil
mas na hora certa afundaremos o navio
então dê um copo de aguardente
para um corpo sentindo frio
preciso beber qualquer coisa
você sabe que eu preciso
e o que só nós dois sabemos
já não é mais segredo
se alguém, seja lá quem for
tiver que morrer, na guerra ou no amor,
não me peça pra entender
não me peça pra esquecer
não me peça para entender
não me peça pra escolher
entre o fio ciumento da navalha
e o frio de um campo de batalha
chegamos ao fim do dia
chegamos, quem diria?
ninguém é bastante lúcido
pra andar tão rápido
chegamos ao fim do século
voltamos enfim ao início
quando se anda em círculos
nunca se é bastante rápido
O dia Em que A amizade Me inspirou
sinto falta da sua doçura todo e todo dia.
vamos nos perder em papos que só nós vemos interesse, embora não tenhamos nos esforçado muito para estendê-los a muitos além de nós.
vamos reencontrar um amigo que há muito não víamos e dar vivas: a saudade está prestes a morrer... mais uma vez.
e de nossos dias façamos isto: uma eterna matança deste mal, que quanto mais mau, mais aumenta o bem de vê-lo morto, pois é isso, tem um lado esquizito da gente que vive atrás da dor, só pra ter o gostinho de ver sua morte virar uma brilhante exposição de dentes que aumenta os olhos e levemente cerra as discretas janelas d'alma.
[l.n.r.]
5.05.2008
4.27.2008
Uma vez vi uma fada que de uma deliciosa nostalgia, deu a luz à mais incrível e verdadeira idéia de vintenas`de outras aquéns.F iquei tão extasiada de ter presenciado tal nascimento, que deixei a tão adorada fala de lado e cá me pus a escrever.
E viva à inspiração e a exploração dos sentimentos.
22/04/08
[l.n.r.]
4.25.2008
Thomas Hardy (1912)
(Lines on the loss of the "Titanic")
I
In a solitude of the sea
Deep from human vanity,
And the Pride of Life that planned her, stilly couches she.
II
Steel chambers, late the pyres
Of her salamandrine fires,
Cold currents thrid, and turn to rhythmic tidal lyres.
III
Over the mirrors meant
To glass the opulent
The sea-worm crawls -- grotesque, slimed, dumb, indifferent.
IV
Jewels in joy designed
To ravish the sensuous mind
Lie lightless, all their sparkles bleared and black and blind.
V
Dim moon-eyed fishes near
Gaze at the gilded gear
And query: "What does this vaingloriousness down here?". . .
VI
Well: while was fashioning
This creature of cleaving wing,
The Immanent Will that stirs and urges everything
VII
Prepared a sinister mate
For her -- so gaily great --
A Shape of Ice, for the time fat and dissociate.
VIII
And as the smart ship grew
In stature, grace, and hue
In shadowy silent distance grew the Iceberg too.
IX
Alien they seemed to be:
No mortal eye could see
The intimate welding of their later history.
X
Or sign that they were bent
By paths coincident
On being anon twin halves of one August event,
XI
Till the Spinner of the Years
Said "Now!" And each one hears,
And consummation comes, and jars two hemisphere
4.22.2008
4.06.2008
3.29.2008
Prayer to Our Lady
Inspired with this same confidence we fly to thy protection.
O Virgin of Virgins, our Mother, to thee we come, before thee we stand sinful and sorrowful; despise not, O Mother of the World Incarnate, our humble petitions, but graciously hear and grant our requiem*.
Amen.
An indulgence of three years each time the prayer is recited, applicable also to the Holy Souls. A plenary indulgence to those who recite it daily for a month.
homenagem à descoberta de novas entidades e comemoração de seus respectivos dias.
3.23.2008
O medo é um alerta para que nos defendamos.
O medo chama nossa atenção para uma possível ameaça ao nosso bem-estar.
Não ignore a ansiedade.
Com frequência, a individualidade é rotulada como excentricidade, tolerada apenas na teoria; na prática, espera-se o conformismo.
3.17.2008
3.16.2008
ego, você não é um sol
Quer que tudo gire em sua órbita, é só o que importa.
O ego é um atalho para a ilusão.
Admito que, se casada com a consciência, a ilusão pode sim ser prazerosa e benéfica, se devidamente abstraída.
Porém, a ilusão do ego rejeita a consciência.
E fica como uma porta que não precisa de fechadura nem de chave,
Uma vez que o contexto criado implica num arrombamento em vez de uma luta pela chave.
Triste é pensar que grande parte deles acha que é um sol e nada mais que isso.
Mais triste ainda, é pensar que esta mesma maioria acredita não precisar ser nada a mais que um sol e uns planetinhas bestas que o idolatrem.
Um sol é só um sol, não é o topo do poder nem da existência.
Engraçado é pensar que os egocêntricos almejam ser sempre o centro, como o sol,
Mas quem é que consegue olhar para o sol por muito tempo?
Enfadonho é observar estas pessoas andando em círculos sem que percebam, achando que o círculo é a rota dos demais a sua volta.
Bizarro é pensar que são controladas pelo sol quando crêem SER o tal do sol.
Estranho é pensar que somos um todo, estou entre eles, que somos todos irmãos. Mesmo tendo desatado laços com vários membros deste clã.
Complicado é ter extendido os olhos para além do sol e sentido as lágrimas de sensibilidade e tentativa de desapego à antiga situação.
Dilacerante é buscar disposição para abrir olhos alheios com pálpebras de aço e me perder na busca, o sol é realmente difícil de se olhar.
Feliz é pensar que meu ego e consciência são casados em comunhão total de bens, embora a representação masculina desta comunhão ainda não tenha se libertado completamente dos impulsos traíras contra sua cônjuge.
Mais feliz ainda é pensar que, ao abrir meus olhos quase atrofiados, vi claramente que sou um universo inteirinho cheio de planetas, astros, luas e mistérios a serem descobertos, e o suposto sol, é apenas um coadjuvante qualquer.
Confortante é perceber que a forma redonda do ego é bem receptiva para com os petelecos da consciência, e que com o tempo, ele se renderá e será fiel à sua senhora.
[l.n.r.]
3.10.2008
3.07.2008
3.05.2008
cento e oito ponto um?
- Olá?
- Espero que tenha um bom motivo para despertar-me dos meus sonhos. Sabes que sonhos de esfinges não são meros sonhos, são lições. Então é bom que valha a pena.
- Como faço pra passar?
- Pelo portal?
- Isto é um portal?
- Portal para o reino do olhar 108.1.
- 108.1?
- É o código para designar olhar com menos limitações que a natureza e a cultura já desenvolveram para o homem.
- Nossa! É um olhar bem avançado.
- Digamos que não são todos que podem suportar. São tantos detalhes...
- Hmmm, detalhes..
- Muitos cineastas utilizam o 108.1, é bem útil. E o resultado é formidável.
- Hm, segredinho especial do Bergman, hã?
- É.... Você deve estar com a versão 9.7, talvez 10.
- E o que isso significa?
- Uns pontinhos a mais que a maioria da sociedade Globo.
- Ahn. ¬¬
- É um salto consideravelmente grande passar do 10 para o 108.1.
- É impossível?
- É... impossível não chega a ser. Mas você terá de passar por um teste.
- E que tipo de teste seria?
- Um teste de memória, resistência, concentraçãoo, controle emocional, auto-conhecimento, raciocínio, pesquisa, análise, criação, imaginação... algo mais?
- Nossa...
- Ah, deve ter mais uns cinco itens, mas nada que você não descobrirá na jornada.
- Jornada?
- Menina, me escute bem.. Se ainda tiver inocência, ingenuidade ou insegurança, deixe aqui, do lado de fora. Ou desista.
- E... que espécie de jornada?
- Como posso lhe dizer... É como uma trama de maturação multipla.
- Vou viver num filme de guerra com muitas subtramas?
- Não. Deixe-me ser mais específica: você terá de aprender de forma intensiva, mais vulgarmente falando, no tranco, tudo o que é necessário para não sofrer sérios danos ao enxergar através da lente 108.1.
- Hmm, Jumandi?
- Não. O que vai fazer é vida, e hollywood não é vida.
- E quando começo?
- Vá para casa, viva seus dias. Entrarei em contato.
- É como pôr um piercing?
- Piercing?
- Deixe-me explicar. Você espera tanto o terror daquela dor que quando se dá conta já passou?
- Exato. Quando se der conta, terá aprendido. Agora vá.
- Hei, só mais uma coisa..
- Chore.
- Valeu a pena?
- Valeu a pena o quê?
- Ter despertado do seu sonho.
- As vezes.. uma lição pode ser um carma. Neste caso, te devo um... ah, queria dizer aquela palavra, mas soa muito como obrigação e não encontro um sinônimo...
- Valeu?
- É... valeu.
- Até breve, espero.
- Boa sorte na jornada, menina.. vai precisar.
[l.n.r.]






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